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Sou o eu-lírico oculto na sombra fria da palavra mais bonita.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Outono

...
   E as pessoas são feito folhas em uma árvore. O tempo passa, feito um rio, seguindo em silêncio o seu curso...
   Talvez as pessoas sejam feito as folhas: como quem não se importa muito com o mundo, as folhas caem, uma a uma, nas águas do rio, sem que a gente perceba... E se vão.
                                                                                             Até que chega o inverno... Quando nos damos conta, não há mais folhas nas árvores: tudo é frio e desolação.

1802111612

-Adolfo J. de Lima

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Oração

 E esta é a primeira oração que faço em anos:
 "Pai, me permita pecar apenas por maldade. Pois se antes pequei não o fiz por mal. Eu, que não consigo mais sem sentir no íntimo o peso das palavras de quem me toma com um mau caráter. Pai, permita a mim, o mais teimoso dentre os teus filhos, ser mau para que eu não me sinta tão mal... Mal de uma forma que só Deus sabe."

 E a impressão que eu tenho, é de que esta não é a primeira vez que faço esta oração...

-Adolfo J. de Lima

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Enquanto viajava de Natal a Jampa

 Eu tentei dobrar um pedaço de papel ao meio sete vezes mas não consegui. Depois de algumas tentativas frustradas me coloquei a pensar na razão disso.
 Enquanto observava a paisagem eu cheguei a conclusão de que a perfeição há em cada uma das coisas simples que Deus pôs no mundo e que o homem jamais será capaz de criar igual. Desde as pequenas pétalas a beijar o precipício de um morro ao azul do céu cheio de nuvens brancas.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Meia-noite no Andaluzia

 Se eu realamente esqueci o nome de alguém, dá um desconto que escrever com sono as três da manhã é peso!..


Aquela casa lá na esquina, mal assombrada,
nunca mais terá o mistério que um dia ela teve.
Nunca mais passaremos uma madrugada
feito aquelas em que Pedro Metralha esteve
conosco - ainda que ele estivesse a metralhar.
Os tempos em que Carol era a minha vizinha,
haja o que houver, nunca mais irão voltar...

Hoje sabemos que são as ditas francesinhas,
a terceira rua deixou de ser esquecida,
e ainda assim rimos das piadas sobre o Fofão
se parecer com Maria Helena, a salva-vidas,
ou do Felipe correndo da construção...

Talvez não tivéssemos muito o que fazer
além de jogar cartas debaixo de algum
poste. De ir jogar UNO na área de lazer
ou de ficar ali conversando com Gugu.
É verdade, apareceram Kainan e George
aqui no condomínio quando Alex e André
resolveram não aparecer. Pena que os dias de hoje
não são iguais aos de muito antes: um dia qualquer
era o melhor dentre todos os nossos dias.
Qualquer dia era dia de irmos todos à piscina.
Eram dias nos quais todos diziam que eu saía
na esperança de ver Isa dançar entre as meninas...
01 de agosto de 2010 - 03h 22min

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Conto do meu jardim de morte - Petalum III

Havia, sob um céu que parecia ter sido pintado,
um jardim. Nele havia uma fonte onde eu via meu reflexo
- Onde outrora, diante desta mesma, eu me vi perplexo
ao ver contra meu crânio a descendência de um machado.

Eu não havia percebido; ela surgiu ali de repente
e com um único golpe me matou a sangue frio...
Lentamente o jardim se tornava um lugar sombrio
enquanto o meu sangue gotejava vermelho e quente.

Ela sussurrou algo antes de deixar-me ali sozinho
e ainda assim a sua voz se mantinha muito afetuosa.
A amava... Atrás de si ela deixou uma trilha de rosas
e eu quis, mas a trilha aumentava a cada espinho.

"Talvez eu não te peça perdão por ser tão impiedosa
porém me tenha sempre como a flor mais delicada
Pois são feitas de dor todas as coisas reservadas
para quem se arrisca pelo perfume de uma rosa"

-Adolfo J. de Lima

Para quem nunca passou uma noite a ver a chuva cair

Esta noite eu me deitaria em meu leito
feito eu faria numa noite normal
mas lá fora está vindo um temporal...
Na verdade, o temporal já é desfeito.

E toda esta precipitação
logo se faz uma inundação
cá dentro.

-Adolfo J. de Lima

terça-feira, 8 de junho de 2010

Ditos de um "burguês"

 Um punhado de pessoas te me chamado de "burguês" e isso tem me irritado um pouco ultimamente...
 Eu não sou rico. Se muitos problemas no mundo existissem por causa de dinheiro apenas, talvez não teríamos tanto com o que nos preocupar. Eu e uns tantos outros não somos "burgueses". O problema é que muita gente se deixa encher os olhos com tão pouca coisa. Eu não sou rico. Vocês é que são pobres... pobres de espiríto.

-Adwolf